A Forrester publicou em julho a nova edição do The Forrester Wave™: Commerce Solutions, Q3 2026, avaliando algumas das principais plataformas de comércio do mundo.
Pela primeira vez, a consultoria reuniu B2B e B2C em uma única avaliação. E a Shopify aparece novamente entre os Leaders, agora competindo em uma análise muito mais ampla de commerce.
Para quem ainda associa Shopify a uma plataforma simples para pequenas lojas, o resultado é mais uma evidência de uma transformação que já vem acontecendo há alguns anos.
Mas, para nós, o ponto mais interessante do relatório é outro.

Ter mais funcionalidades não significa necessariamente ter uma plataforma melhor
Durante muitos anos, a escolha de uma plataforma enterprise de e-commerce foi conduzida quase como um checklist.
Marketplace? Tem.
B2B? Tem.
Gestão de Promoções? Tem.
OMS? Tem.
Personalização? Tem.
Venda em vários países? Tem.
Quanto maior a quantidade de caixas marcadas, aparentemente mais completa era a plataforma.
O problema é que quem opera e-commerce todos os dias sabe que existe uma enorme diferença entre uma funcionalidade existir e uma funcionalidade ser realmente boa de usar.
Uma plataforma pode permitir configurar uma promoção em três minutos.
Outra pode exigir documentação, treinamento, múltiplas telas, regras difíceis de entender e eventualmente a participação de um desenvolvedor.
Na planilha, as duas possuem "Promotion Management".
Na operação, são produtos completamente diferentes.
E o próprio mercado começa a perceber isso.
Na análise que acompanha a Wave de 2026, a Forrester afirma que empresas estão cada vez mais preocupadas com simplificação, gestão de custos e retorno sobre investimento. A consultoria também chama atenção para plataformas cujas atualizações e mudanças acabam gerando tamanho esforço operacional que clientes passam a considerar uma migração para outro fornecedor.
Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a discussão.

Complexidade também é custo
O custo de uma plataforma de comércio não é apenas sua licença.
É o número de pessoas necessárias para operá-la.
É o número de desenvolvedores necessários para evoluí-la.
É quanto tempo uma campanha demora para entrar no ar.
É quantos sistemas precisam ser integrados.
É quantas horas são gastas investigando por que determinada configuração não funcionou.
É quanto conhecimento especializado precisa existir dentro da empresa para simplesmente manter o comércio funcionando.
Em outras palavras: complexidade também faz parte do TCO.
E é justamente aqui que a filosofia de produto da Shopify se torna particularmente interessante.
A própria Shopify define seu objetivo como transformar as partes mais difíceis de construir e operar um negócio em ferramentas simples e poderosas.
Essa simplicidade não significa ausência de sofisticação.
Significa esconder a complexidade que não deveria precisar ser administrada pelo lojista.
De plataforma simples a infraestrutura global de comércio
Essa transformação não aconteceu de uma hora para outra.
Em 2024, em sua primeira participação na avaliação específica para B2B da Forrester, a Shopify já havia sido posicionada como Leader.
Dois anos depois, B2B e B2C passam a fazer parte de uma única análise — e Shopify permanece no grupo de liderança.
Ao mesmo tempo, a plataforma continua ampliando sua superfície: B2B, POS, Markets, pagamentos, extensibilidade, dados, automações e agora uma camada cada vez maior de Inteligência Artificial e comércio agêntico.
O interessante é que essa expansão acontece preservando uma característica que sempre diferenciou a Shopify: fazer coisas complexas parecerem simples.
Para uma operação de porte, isso tem consequências enormes.
Menos infraestrutura proprietária para manter.
Menos funcionalidades básicas que precisam ser desenvolvidas internamente.
Menos dependência técnica para atividades comerciais.
E mais capacidade para concentrar tecnologia onde ela realmente diferencia o negócio.
A melhor plataforma não é necessariamente a que faz mais
A própria Forrester faz um alerta importante sobre a interpretação de sua Wave.
Segundo a analista responsável pelo estudo, olhar simplesmente para quem está mais acima e à direita no gráfico não é a forma correta de escolher uma plataforma. Os critérios que realmente importam dependem das necessidades de cada negócio.
Concordamos.
Uma empresa não deveria perguntar apenas:
"Esta plataforma consegue fazer isso?"
Deveria perguntar também:
"Quanto esforço será necessário para fazer isso funcionar bem?"
E depois:
"Quanto esforço será necessário para continuar operando isso pelos próximos cinco anos?"
São perguntas muito diferentes.
Quanto mais madura fica a tecnologia de comércio, menos sentido faz avaliar plataformas somente pela quantidade de funcionalidades disponíveis.
A próxima competição é por produtividade.
Velocidade.
Autonomia.
Extensibilidade.
Manutenibilidade.
E capacidade de incorporar continuamente novas tecnologias sem precisar reconstruir a operação a cada ciclo.
É por isso que o resultado da Shopify importa
A posição de Shopify entre os Leaders da Forrester Wave 2026 não significa que ela seja automaticamente a melhor plataforma para qualquer empresa.
Nenhuma plataforma é.
Mas reforça algo que acompanhamos há anos: a Shopify deixou de precisar provar que consegue atender operações enterprise.
A discussão agora é outra.
É sobre quanto mais simples pode ser operar uma grande empresa quando boa parte da complexidade do comércio deixa de ser responsabilidade dela e passa a ser responsabilidade da plataforma.
Porque tecnologia sofisticada não deveria obrigatoriamente produzir operações sofisticadamente complicadas.
Na maioria das vezes, o melhor produto é justamente aquele que absorve a complexidade.
E devolve simplicidade para quem precisa operar o negócio.
Abraços,
Érico Scorpioni.
Fonte: The Forrester Wave™: Commerce Solutions, Q3 2026 (Forrester Research, julho de 2026).





